Um homem me perguntou
porque eu vivia
nestas verdes colinas,.
Sem responder, eu sorri,
com o coração sereno:
flores de pessegueiro
na água corrente:
tudo vai embora e se apaga.
Aqui é outra, a terra.
e outro, o céu.
Nada em comum
com o mundo dos humanos
lá embaixo.
Li Bai
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Diante de minha janela, o brilho do luar. Ou é a geada cintilando no chão? Ergo a cabeça e contemplo a lua. Baixo a cabeça, saudades de minha terra natal! Li Bai
A terra bebeu a neve E,de novo,desabrocham As flores de pessegueiro. O lago é prata derretida E são ouro recente As folhas do salgueiro. Sobre as flores, Borboletas empoadas Descansam suas cabeças de veludo. Quebra-se a superfície do lago Quando,do barco parado, O pescador lança as redes. Seu pensamento está com a mulher amada. Ele regressa ao lar, Tal como a andorinha Leva comida ao seu par. Li Bai
Passo a noite no Templo da Montanha. Se estender a mão, posso tocar as estrelas, mas falar não ouso: tenho medo de incomodar os que moram no céu. Li Bai
Quem faz soar essa flauta, tocando em algum lugar, e espalhando essa melodia que a brisa da primavera leva até o povoado de Luo? Quem, nesta noite, ouvindo essa canção antiga, percorrendo os galhos do salgueiro deixaria de pensar no seu país natal? Li Bai
O cavalo empertigado marcha sobre as flores caídas. Meu relho no ar roça as nuvens. Bela, a menina que abre a cortina de pérolas aponta, ao longe. com um sorriso, a casa vermelha: "É lá que eu moro". Li Bai
Sou um pessegueiro Florescendo no fundo de um poço. Olho para quê?,sorrio para quem? És a Lua reluzindo no céu Breve foi o tempo debruçada sobre mim, Logo o afastamento, para sempre. A espada da mais fina lâmina Não pode cortar em duas as águas do mesmo rio. Meu pensamento,como a água, Corre e te segue sempre.
A brisa e o luar de Outono, As folhas caídas dispersas pelo vento, O corvo emplumado voando sem descanso. Penso em ti,anseio o feliz reencontro, E não sei,esta noite, Transmutar em verso o meu sentir.