domingo, 26 de abril de 2015

Adeus





 



Depois dessas poucas noites
        na Torre Qin,
Homem imortal,
       não esperava que partisses,
Dorme, não diga para onde
        Foram-se as nuvens.
Um mariposa arisca
        debate-se
no lume da candeia.

Yu Suanji (843-868)

terça-feira, 7 de abril de 2015







Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um.
Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma ideia, e, ao se encontrarem, trocarem as ideias, cada um vai embora com duas.


Provérbio Chinês

domingo, 5 de abril de 2015

Lamentos de Primavera, ao som de “Flores de Magnólia”





Eu caminho sozinha, me sento sozinha,
Canto sozinha, bebo sozinha e durmo sozinha.
Sempre sozinha, minha alma chora.
Só uma luz fria me acaricia. 
Quem pode ver
As lágrimas que estragam minha maquiagem,
Ou a dor e doença, agora de mãos dadas,
Ou eu aqui, arrumando o pavio do candeeiro até que a luz se vá, sem que chegue o sonho? 

Zhu Shuzhen (1063-1106)

A Canção de A-na






Saindo de um sonho, aos soluços, tenho medo da dor da primavera.
A fumaça apaga-se no queima incenso em forma de pato, mas o aroma persiste
Minha fina colcha não me protege do frio da madrugada
Os cucos cantam e cantam até que da torre oeste a lua se precipita. 

Zhu Shuzhen (1063-1106)

O colete de brocado com fios de ouro






Veja bem,
Não preze muito teu colete
de brocado com fios dourados
Veja bem,
aprecie o breve turno
da juventude.
Quando a flor está pronta,
tem de ser colhida.
Não espere flores no chão
ou ramos nus que se quebram.

Liu Caichun – entre séculos 8 e 9

O canto das cigarras






Lavados pelo orvalho, dispersam-se os cantos das cigarras
E como folhas que se amontoam com o vento
Cada canto vai se misturando com o próximo,
Mesmo que vivam, cada um, em seu próprio galho. 

Xue Tao

Painas de salgueiros






Em fevereiro, leve, suaves painas de salgueiro
Brincam com a roupa das pessoas na brisa da primavera
São criaturas sem coração
voando para o sul num momento, e para o norte, logo depois. 

Xue Tao