quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Poema



Sou um pessegueiro
Florescendo no fundo de um poço.
Olho para quê?,sorrio para quem?
És a Lua reluzindo no céu
Breve foi o tempo debruçada sobre mim,
Logo o afastamento, para sempre.
A espada da mais fina lâmina
Não pode cortar em duas as águas do mesmo rio.
Meu pensamento,como a água,
Corre e te segue sempre.

Li Bai

O pescador





A terra bebeu a neve
E,de novo,desabrocham
As flores de pessegueiro.
O lago é prata derretida
E são ouro recente
As folhas do salgueiro.
Sobre as flores,
Borboletas empoadas
Descansam suas cabeças de veludo.
Quebra-se a superfície do lago
Quando,do barco parado,
O pescador lança as redes.
Seu pensamento está com a mulher amada.
Ele regressa ao lar,
Tal como a andorinha
Leva comida ao seu par.

LI PO








Li Po




















Li Po é considerado um dos dois maiores poetas da história literária chinesa. Era muito conhecido por ser um bebedor inveterado e sabe-se que escreveu muitos de seus grandes poemas enquanto estava bêbado.
Estava bêbado na noite em que caiu de seu barco se afogou no rio Yangt-ze ao tentar abraçar o reflexo da lua na água.
























No sudoeste da China há uma localidade chamada "Cidade da Lua", pois o luar brilha de forma tão clara que é possível ler sob ele.

Festival da lua








 


O Festival da Lua também conhecido como Festival de Meio do Outono. O Festival
da Lua é uma celebração para a abundância e união, é um dos mais importantes
eventos tradicionais para o chineses. É celebrado durante a noite porque neste dia a
lua está muito cheia e brilhante. A comida tradicional deste festival é a torta da lua.
A origem desta festividade: data da Dinastia Xia, entre o ano 2070 A.C e 1600 A.C ,
quando as pessoas se reuniam para celebrar a Lua Cheia em honra do mítica Deusa
da Lua, Chang 'e. Actualmente as celebrações são feitas através da reunião das
famílias e pela partilha, entenda-se oferta, destes bolos, à família e amigos. Também
se reúnem para declamar poesias e comer os bolos enquanto observam a Lua Cheia.
A lenda diz que Houyi que era muito bom arqueiro. Uma vez o céu tinha 10 sóis e Yi
(nome pelo qual também é conhecido) deitou abaixo com o seu arco e flecha 9
desses sóis porque estava demasiado calor na terra o que impossibilitava as pessoas
de viver. A sua mulher Chang 'e tomou um elixir roubado ao marido, voou até à lua e
tornou-se a Deusa da Lua, que tem vivido no Palácio da Lua desde então. Yi foi morto
por um dos seus discípulos.
Estes bolos são de massa, recheados de doce de lótus ou de doce de feijão, mas
também podem ser salgados, quando recheados com ovos de pato e que
representam a lua cheia.

Festival do barco do dragão




















No quinto dia da quinta lua é também chamado do Duplo Cinco. O poeta Qu Yan, ou
Wat Yun, fiel servidor do Imperador Chi, caiu em desgraça e suicidou-se atirando-se
ao rio Milo, quando constatou que não tinha conseguido banir a corrupção e a intriga
da corte. Os aldeões movidos pela consideração que tinham pelo poeta, meteram-se
nas suas canoas e tentaram recuperar o corpo antes que os monstros marinhos o
apanhassem. Ao mesmo tempo lançavam bolos de arroz embrulhados em folhas de
bananeira. De acordo com uma versão da lenda ,isto seria feito para distrair os
monstros marinhos. Segundo outra versão, a ideia seria a de alimentar o poeta . As
folhas, colocadas em forma de seta, teriam esta configuração para evitar serem
comidas pelos monstros. Seja qual for a verdadeira versão da lenda, o que é certo é
que nesta altura se comem grandes quantidades destes bolos, "tchong" ou "lapas" em
dialeto macaense.

Ching Ming














Ching Ming " ( "Suprema Luz" ) é o dia em que os chineses visitam os cemitérios para
prestarem homenagem aos seus antepassados. É o equivalente ao dia de Todos os
Santos dos cristãos. É um momento em que a família se reúne e que revela bem o
conceito chinês de continuidade e relacionamento com a morte. Há membros da
família que vêm de muito longe para se juntarem ao seu "clan", visitando os
cemitérios, onde cuidam das campas , fazem oferendas de incenso e comida à
memória dos seus antepassados. As cerimônias terminam com o lançar de cinco
foguetes e com a colocação de papel vermelho no túmulo , mostrando assim que a
homenagem foi feita e que a memória do falecido foi respeitada.
É festejado em abril.

Canção da metade
























A metade do caminho, para o homem, é o melhor estado,
quando o passo mais lento lhe autoriza a calma.
Um amplo mundo jaz entre o céu e a terra.
Viver a meio caminho entre o campo e a cidade,
ser metade estudioso e metade proprietário e metade negociante, viver metade como os nobres e metade como a gente comum, possuir uma casa que é metade luxuosa e metade singela, meio mobiliada e meio desnuda,
vestuários que não são velhos nem novos,
e a comida metade epicúrea e metade vulgar ...
Ter serventes nem muito hábeis nem muito tolos,
e uma esposa que não é nem demasiado simples nem demasiado sabida ...
Então sinto no coração que sou pela metade um Buda e quase pela metade um santo espírito taoísta.
A metade de mim ao Céu nosso pai devolvo,
a outra metade a meus filhos deixo ...
Metade pensando como prover à minha posteridade
e metade pensando como defrontar-me com o Senhor dos Mortos.¿
É mais prudente ébrio, quem é metade ébrio;
e as flores meio abertas são mais belas.
Como navegam melhor os barcos a meia vela,
e melhor trota o cavalo a meia rédea!
Quem tem uma metade demais, que ansiedade!
Mas quem tem de menos, com mais fervor possui a sua metade.
Pois a vida é feita de amargor e doçura,
e é mais sábio e mais hábil quem só lhes prova a metade

CANÇÃO DA METADE - Li Mi-An antigo poeta chinês


















As ervas são como fios azuis-esverdeados,
A amoreira deixa pender seus ramos verdes.
É o tempo em que se pensa no dia do regresso,
o momento em que a minha dor se torna insuportável.
Vento da primavera, não te conheço!
Por que entras pelas minhas cortinas de gaze?

Li Po

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Rosa vermelha

























A esposa do guerreiro esta sentada à janela.
De coração aflito, borda uma rosa branca numa almofada de seda.
Picou-se no dedo! Seu sangue corre na rosa branca, que se torna vermelha.

Seu pensamento vai ter com seu amado, que esta na guerra,
e cujo sangue tinge, talvez, a neve de vermelho.

Ouve o galope de um cavalo... Chega, enfim, seu amado?
E apenas o coração que lhe salta com força no peito...

Curva-se mais sobre a almofada e borda com prata
as lágrimas que cercam a rosa vermelha.

Li Po
tradução de Cecilia Meireles

Bebo sozinho ao luar



Entre as flores há um jarro de vinho.
Sou o único a beber: não tenho aqui nenhum amigo.
Levanto a minha taça, oferecendo-a à Lua:
com ela e a minha sombra, ja somos três pessoas,
Mas a Lua não bebe, e a minha sombra imita o que faço.

A Sombra e a Lua, companheiras casuais,
divertem-se comigo, na primavera.
Quando canto, a Lua vacila.
Quando danço, a minha Sombra se agita em redor.
Antes de embriagados, todos se divertem juntos.
depois, cada um vai para a sua casa.
Mas eu fico ligado a esses companheiros insensíveis:
nossos encontros são na Via-Láctea.

Li Po
Tradução de Cecília Meireles

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O pescador























A terra bebeu a neve
E,de novo,desabrocham
As flores de pessegueiro.
O lago é prata derretida
E são ouro recente
As folhas do salgueiro.
Sobre as flores,
Borboletas empoadas
Descansam suas cabeças de veludo.
Quebra-se a superfície do lago
Quando,do barco parado,
O pescador lança as redes.
Seu pensamento está com a mulher amada.
Ele regressa ao lar,
Tal como a andorinha
Leva comida ao seu par.

LI PO

Poema






















Sou um pessegueiro
Florescendo no fundo de um poço.
Olho para quê?,sorrio para quem?
És a Lua reluzindo no céu
Breve foi o tempo debruçada sobre mim,
Logo o afastamento, para sempre.
A espada da mais fina lâmina
Não pode cortar em duas as águas do mesmo rio.
Meu pensamento,como a água,
Corre e te segue sempre.

Li Bai ( in poemas de Li Bai ).

Inspiração ausente


















A brisa e o luar de Outono,
As folhas caídas dispersas pelo vento,
O corvo emplumado voando sem descanso.
Penso em ti,anseio o feliz reencontro,
E não sei,esta noite,
Transmutar em verso o meu sentir.

Li Bai,
in Poemas de Li Bai

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lanternas vermelhas



















Um poderoso homem e a rivalidade de suas quatro esposas. As lanternas vermelhas que dão título ao filme fazem parte de um belo e humilhante ritual de escolha, por parte do senhor.

Songlian é uma jovem universitária de 19 anos que acaba de perder o pai. Impelida pelas dificuldades financeiras da família a interromper seus estudos, Songlian aceita a proposta de casamento de um homem rico a quem jamais conhecera.
Chegando na casa do marido (a quem todos chamam de mestre), ela conhece suas três rivais, Yuru, Zhuoyun e Meishan. Yuru é mãe do primogênito do mestre, mas hoje é ignorada devido a sua idade. A sorridente Zhuoyun, aparentando estar na faixa dos 40 anos, lamenta-se por ter dado uma filha, e não um menino, a seu mestre, mas sonha em reverter a situação e ficar grávida enquanto ainda houver tempo. Por sua vez, a caprichosa Meishan, ex-cantora de ópera, é mãe de um garoto.

A tradição é assim: o mestre seleciona uma de suas esposas para passar a noite. A eleita recebe um tratamento especial, com direito a massagem nos pés e a escolha do cardápio para as refeições do dia seguinte. A regularidade da visita do mestre define o status que determinada esposa gozará naquele microcosmo. A fachada da casa da esposa escolhida é iluminada com enormes lanternas vermelhas. São raros instantes de prazer dos quais ela pode gozar antes de mais uma vez disputar a atenção do mestre com as outras esposas.
A chegada de Songlian gera ciúmes e descontentamento (inclusive na criada Yan’er, que sempre ansiara por tomar seu lugar), uma vez que ela rapidamente passa a se tornar a favorita do mestre.
Cada uma das quatro esposas tem personalidades bem diferentes, e cada uma usa de suas armas e/ou atributos para ter a preferência do senhor (ou só se vangloriar perante as outras).

Dividido em quatro partes – as estações do ano -, Lanternas Vermelhas apresenta as quatro mulheres, de quatro gerações diferentes, não tanto como esposas, mas sim como concubinas, destinadas a servir o marido num ciclo perpétuo de obediência e humilhação.
As estações talvez simbolizem cada uma das quatro personagens: a primeira esposa, fria e pouco solicitada, seria o inverno. A segunda esposa, no outono da vida, luta silenciosamente contra o perecimento de sua fertilidade. A terceira esposa, bela como a primavera, é um poço de exuberância e classe. Songlian, representando o verão, é quente, incipiente, fresca.




http://4.bp.blogspot.com/_lj8wYiiybis/Rji69MbRqbI/AAAAAAAAABU/plsAyyrxMm8/s320/lampadas.JPG


Obra-prima do diretor Zhang Yimou, Lanternas Vermelhas é um grande clássico do cinema mundial , baseado no livro de Su Tong.

Festival da primavera


















Festival de Primavera em Pequim; essas decorações são habitualmente usadas pelos chineses para inaugurar o Ano Novo Lunar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Natal na China















Os chineses cristãos comemoram o Natal decorando suas casas com coloridas lanternas de papel.
Também as árvores de Natal que são chamadas de "árvores de luz’, são decoradas com lanternas, flores e outros enfeites de papel.
Como as crianças americanas , as chinesas também penduram os seus pés de meia para que o PAPAI NOEL coloque ali os presentes.
Mas lá o seu nome é um pouco mais complicado.
O velhinho é chamado de Dun Lhe dao Ren, que significa ‘’velho Natal’.
Não obstante a grande maioria do chineses não é cristã.
Para essa população a principal festividade deste período é a comemoração do Ano Novo chinês que acontece em uma data variável no final de janeiro.
Durante a festa as crianças recebem novas roupas e brinquedos e há inúmeros shows de fogos de artifícios.
Um espetáculo importante da comemoração do Ano Novo na chuva é a homenagem que se presta aos ancestrais .
Retratos e pinturas dos ancestrais da família são colocadas na principal peça da casa para serem vistos e lembrados pelo seus atuais membros.


Feliz Natal na China: Sheng Tan Kuai Loh (mandarin), Gun Tso Sun Tan’Gung Haw Sun (cantonés)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os leques e seus encantos





Originalmente, os leques eram usados pelos camponeses chineses para enxotar moscas. Para quem não sabe, as moscas chinesas são extremamente aborrecidas pois são insetos que gostam de voar em torno de um indivíduo até este ficar de olhos em bico. Mas houve um certo camponês que reparou que os leques também faziam deslocar o ar. Quem diria... Estes chineses são tipos muito espertos.Daí, começaram a abanar os leques para se refrescarem. Porém, houve uma certa meretriz que achou que não era muito masculino um camponês ser visto abanando um leque. De imediato, os camponeses largaram os leques e passaram a enxotar as moscas com uma rama de urtigas. Isso sim, um gesto de homem! Então, a dita meretriz tratou de pôr em prática a sua brilhante ideia. Para ela, um leque representava mais do que um enxotador de moscas ou uma membrana de ventilação. Esta viu nos leques excelentes utensílios de sedução para serem ostentados pelas jovens concubinas da China como também pelas melhores gueixas do Japão. Num ápice, tratou de ensinar às suas concubinas algumas coreografias com leques. Além disso, aproveitou a arte milenar da linguagem gestual chinesa para criar uma nova linguagem. A chamada linguagem salamaleque. Esta linguagem compreendia-se através de sinais com os próprios leques quando manuseados pelas jovens cortesãs. Abanar o leque diante do próprio rosto enquanto se olhava para um homem representava que uma mulher estava disponível para este. Ao passo que abanar o leque diante do peito era uma claro sinal que o homem visado podia convidar a respectiva gueixa para tomar um sakê. Já abanar o leque em frente do baixo-ventre significava que valia tudo menos despentear o mitsuko. E foi assim que a linguagem dos leques, a linguagem salamaleque, se estendeu por toda a Ásia, em todo o Oriente.
Não tardou muito, com as epopeias dos descobrimentos, para que o Ocidente começasse também a usar os leques orientais. Os povos do Norte da Europa serviam-se dos leques para enxotar moscas, enquanto os povos do Sul preferiam refrescar-se abanando os leques. Todavia, os povos mais ao Centro, como por exemplo os normandos, desde logo viram os potenciais sedutores dos leques. Era comum, nas cortes da Normandia, as donzelas abanarem o leque em movimentos circulares diante de si. Nisto os cavalheiros tinham que adivinhar se as donzelas estavam a enxotar as moscas, se estavam a refrescar-se ou se estavam mesmo com os calores. Fenômeno mais conhecido por afrontamento.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009


















"Fazes uma boa ação na porta de tua casa em vez de ir queimar incenso num templo distante."

Provérbio chinês

sábado, 10 de outubro de 2009

Dragões






















Na China, a presença de dragões na cultura é anterior mesmo à linguagem escrita e persiste até os dias de hoje, quando o dragão é considerado um símbolo nacional chinês. Na cultura chinesa antiga, os dragões possuíam um importante papel na previsão climática, pois eram considerados como os responsáveis pelas chuvas. Assim, era comum associar os dragões com a água e com a fertilidade nos campos, criando uma imagem bastante positiva para eles, mesmo que ainda fossem capazes de causar muita destruição quando enfurecidos, criando grandes tempestades. As formas quiméricas do dragão Lung chinês, que misturam partes de diversos animais, também influenciaram diversos outros dragões orientais, como o Tatsu japonês.

Nos mitos do extremo oriente os dragões geralmente desempenham funções superiores a de meros animais mágicos, muitas vezes ocupando a posição de deuses. Na mitologia chinesa os dragões chamam-se long e dividem-se em quatro tipos: celestiais, espíritos da terra, os guardiões de tesouros e os dragões imperiais. O dragão Yuan-shi tian-zong ocupa uma das mais altas posições na hierarquia divina do taoísmo. Ele teria surgido no princípio do universo e criado o céu e a terra.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


























Os nossos desejos são como crianças pequenas:
quanto mais lhes cedemos, mais exigentes se tornam.
Provérbio Chinês

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Gardênias





As gardênias são nativas das zonas quentes da China.
Na China esta flor é conhecida como Chin tzu o Huang, que significa “flor amarela”.
Esta flor é usada em perfumes e chás .
Em tempos antigos, sua polpa era uma fonte de tinta amarela para telas .

terça-feira, 15 de setembro de 2009






No meio de uma grande alegria,
não prometas nada a ninguém.
No meio de uma grande fúria,
não respondas a carta alguma.
Provérbio Chinês

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pérola
















Na China é o símbolo da imortalidade, daí o fato de colocarem uma grande pérola na boca do morto, para regenerá-lo e inseri-lo num ritmo cósmico, cíclico, que, à imagem das fases da lua, pressupõe nascimento, vida, morte e renascimento.
A medicina utilizava unicamente a pérola virgem, não perfurada, que tinha a atribuição de curar todas as doenças dos olhos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Magnólias






















Na China, as Magnólias são utilizadas para
proteger Buda, por isso, são cultivadas à volta dos
templos budistas. As flores da magnólia são
excelentes presentes quando a intenção é mandar
mensagens de força, amor à natureza, simpatia,
dignidade, perseverança e nobreza.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pequeno conto chinês



























Quem seria a escolhida?

Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com a lei, deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:

- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.

E a filha respondeu:

- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc...

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

(Autor desconhecido)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009





Diz um Conto Chinês que um jovem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe sobre as dúvidas que tinha a respeito de seus sentimentos por uma bela moça.
O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma coisa:
- Ame-a.
E logo se calou.
Disse o rapaz:
- Mas, ainda tenho dúvidas...
- Ame-a, disse-lhe novamente o sábio.
E, diante do desconcerto do jovem, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte:
- Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento. Amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem. Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas mas nem por isso abandone o seu jardim.
Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda.
Simplesmente: Ame!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009






Não julgue pela aparência. Nem sempre as flores mais belas envolvem o melhor perfume.

Provérbio chinês

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Lótus e o Sexualismo Chinês



















Segundo informam os pesquisadores franceses Jean Chevalier e Alain Cherbrant no livro dicionário de símbolos, na China antiga não havia elogio melhor para uma cortesã do que ser chamada de “lótus de ouro”. Explica-se assim porque entre os chineses a planta é associada ao nascimento e a criação. Mesmo assim o lótus não deixa de contribuir religiosamente para a tradição religiosa daquele país. A deusa do amor e da compaixão Kuan Yin - a mais venerada entre as divindades chinesas femininas, é representada com flores de lótus ainda fechadas nas mãos e nos pés. Como o botão da flor tem o formato de coração, os fiéis acreditam que a planta teria o dom de aflorar os sentimentos amorosos. Os chineses acrescentam ainda outras qualidades preciosas à lótus. Segundo eles, a haste dura simboliza a firmeza, a opulência de sementes estaria relacionada a fertilidade e prosperidade, as folhas - como nascem juntas - indicariam felicidade conjugal. O passado, presente e o futuro também estão simbolizados respectivamente pela flor seca, pela aberta e pela semente que irá germinar.
Além de tudo, segundo a medicina chinesa, a planta é consumida principalmente como chá por possuir qualidades terapêuticas que vão desde a cura de doenças renais e pulmonares até o combate do estresse e insônia.

quarta-feira, 15 de julho de 2009






Vê as árvores que crescem nas colinas:
Cada uma tem o seu coração particular.
Vê as aves que cantam no bosque:
Cada uma tem a sua própria melodia.
Vê os peixes que nadam no rio:
Este aqui ondula e aquele mergulha.
É vertiginosa a altura das montanhas
Insondável a profundidade das águas!
A aparência das coisas é fácil de ver
Chegar aos seus princípios é uma busca árdua.

Xiao Yan (454-569)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Chun Lian

Deco1 Deco2











Chun Lian é um couplet. Ele se originou de Tao Fu, que tem muito a ver com o costume de usar Men Shen. Tao Fu são duas placas de madeira de pessegueiro, com os nomes dos irmãos Shen Tu e Yu Lei. Na Dinastia Zhou (século 11 a.C - 221 a.C), colocaram-se as duas placas nas portas para expulsar espíritos. O Chun Lian mais antigo é desta época. Nas Cinco Dinastias (907 - 960), começou-se a escrever couplet em Tao Fu. Até a Dinastia Song (960 - 1279), este couplet ainda se chamou Tao Fu, mas mudou-se o material de madeira para papel. Na Dinastia Ming (1368 - 1644), este couplet foi chamado de Chun Lian, e ele virou um costume do povo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A escrita em Mandarim













O alfabeto chinês surgiu há cerca de 4500 anos atrás e, segundo a lenda, foi criado por um homem chamado Cang-Jié (). Com o passar dos anos, no entanto, as letras foram se simplificando. Durante a Revolução Chinesa, foi criado um novo alfabeto chinês simplificado. O alfabeto simplificado hoje é utilizado na China e em Singapura, enquanto o alfabeto tradicional é utilizado em Taiwan, Hong Kong, por imigrantes chineses e vem ganhando força no sul da China.

Vaso Chinês!



















Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas.

Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada da torrente até a casa, enquanto aquele rachado chegava meio vazio.

Por longo tempo a coisa foi em frente assim, com a senhora que chegava em casa com somente um vaso e meio de água.

Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.

Depois de dois anos, refletindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho:

- 'Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa...

'A velhinha sorriu:'

-Você reparou que lindas flores tem somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todo dia, enquanto a gente voltava, tu as regavas.

Por dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa.

'Cada um de nós tem o próprio defeito. Mas o defeito que cada um de nós temos, é que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.É preciso aceitar cada um pelo que é... E descobrir o que tem de bom nele.

Provérbio chinês






Aquele que não sabe
e sabe que não sabe
é humilde.
Ajuda-o!

Aquele que não sabe
e pensa que sabe
é ignorante.
Evita-o!

Aquele que sabe
E pensa que não sabe
Está dormindo.
Desperta-o!

Aquele que sabe
e sabe que sabe
é sábio!
Siga-o.

Cultura do Chá na China




















A cultura do chá chinês se refere aos métodos de preparação do chá, o equipamento usado para fazer chá e as ocasiões em que o chá é consumido na China.
O chá é uma bebida popular desde dos tempos antigos da China. Era considerado uma das sete necessidades diárias, sendo as outras a lenha, o arroz, o óleo, o sal, o molho de soja, e o vinagre. A cultura do chá na China difere daquelas da Europa, Reino Unido ou Japão em tais coisas como nos métodos de preparação, métodos de degustação e nas ocasiões em que é consumido. Até nos dias atuais, em ambas as ocasiões, casuais e/ou formais chinesas, o chá é regularmente bebido. Além de ser uma bebida, o chá chinês é usado em medicamentos herbários e na culinária chinesa.O chá chinês é usado principalmente em rituais de cura ou em reunioes.

Lenda chinesa - Lin e a sogra





Há muito tempo, uma menina chamada Lin se casou e foi viver com o marido e a sogra.


Depois de algum tempo, passou a não se entender com a sogra.
Personalidades muito diferentes, Lin se irritava com os hábitos dela, criticando-a freqüentemente.
Meses se passaram e Lin e sua sogra, cada vez mais, discutiam e brigavam.


De acordo com a antiga tradição chinesa, a nora tinha que se curvar à sogra e obedecê-la em tudo.
Lin, já não suportando mais conviver com a sogra, decidiu tomar uma atitude e foi visitar um amigo de seu pai. Depois de ouvi-la, ele pegou um pacote de ervas e lhe disse:
- Vou lhe dar várias ervas que irão envenenar lentamente sua sogra. Você não poderá usá-las de uma só vez para se livrar dela, porque isso causaria suspeitas.


A cada dois dias, ponha um pouco destas ervas na comida dela. Agora, para ter certeza de que ninguém suspeitará de você quando ela morrer, você deve ter muito cuidado e agir de forma muito amigável. Nunca discuta, e a ajudarei a resolver seu problema, mas você tem que me escutar e seguir todas as instruções que eu lhe der.
- Sim, Senhor Huang, eu farei tudo o que o senhor me pedir - respondeu Lin.
Lin ficou muito contente, agradeceu ao Senhor Huang e voltou apressadamente para casa, para dar início ao projeto de assassinar sua sogra.


Semanas se passaram e, a cada dois dias, Lin servia a comida "especialmente tratada" à sua sogra. Ela sempre se lembrava do que o Senhor Huang havia recomendado sobre evitar suspeitas e, assim, controlou o seu temperamento, obedecendo à sogra e tratando-a como se fosse sua própria mãe.
Depois de seis meses, a casa inteira estava com outro astral.
Lin tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durante esse tempo, ela não teve discussões com a sogra, que agora parecia mais amável e mais fácil de lidar. As atitudes da sogra também mudaram, e elas passaram a se tratar como mãe e filha.
Um dia, Lin novamente foi procurar o Senhor Huang para lhe pedir ajuda e disse:
- Querido Senhor Huang, por favor, me ajude a evitar que o veneno mate minha sogra. Ela se transformou numa mulher agradável, e eu a amo como se fosse minha mãe! Não quero que ela morra por causa do veneno que eu lhe dei. Porfavor, Senhor Huang, me ajude!
O senhor Huang sorriu e acenou com a cabeça.
- Lin, não precisa se preocupar. As ervas que lhe dei eram vitaminas para melhorar a saúde dela. O veneno estava na sua mente e na sua atitude, mas foi jogado fora e substituído pelo amor que você passou a dar a ela. Na China, existe uma regra dourada que diz:
"A pessoa que ama os outros também será amada!"


Lembre-se sempre:
"O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Por isso, tenha cuidadocom o que planta!"

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Pescador e seu Ajudante




[Fotografia: Lucian Muresan - China - TrekLens]

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ningen banji saiou ga uma




















Literalmente: As coisas humanas são como o cavalo de Saiou.

Dizem que há muito tempo na China havia um ancião chamado Saiou. Um dia seu cavalo fugiu. Seus vizinhos lamentaram seu desfortúnio mas Saiou disse "quem sabe se isso não foi uma grande sorte?". Dias depois o cavalo retornou, trazendo consigo uma égua. Seus vizinhos o congratularam pela boa sorte mas ele disse "quem sabe se isso realmente foi uma grande sorte?". Algum tempo depois o filho de Saiou sai para cavalgar, cai da égua e quebra a perna. Isso foi uma grande sorte pois todos os jovens da localidade foram convocados para o exército do Imperador, e houve muitas baixas. O filho de Saiou foi o único sobrevivente.

Moral: O futuro pertence a Deus.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Mandarim e o Alfaiate


Lenda do Vietnã












Um dia um homem recebeu a notícia de que acabara de ser nomeado mandarim.

Ficou tão eufórico que quase não se conteve.

Serei um grande homem agora disse a um amigo. Preciso de roupas novas imediatamente, roupas que façam jus à minha nova posição na vida.

Conheço o alfaiate perfeito para você ¾ replicou o amigo. É um velho sábio que sabe dar a cada cliente o corte perfeito. Vou lhe dar o endereço.

E o novo mandarim foi ao alfaiate, que cuidadosamente tirou suas medidas. Depois de guardar a fita métrica, o homem disse:

Há mais uma informação que preciso Ter. Há quanto tempo o senhor é mandarim?
mandarim

Ora, o que isso tem a ver com a medida do meu manto? perguntou o cliente surpreso.

Não posso fazê-lo sem obter essa informação, senhor. É que mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo que mantém a cabeça altiva, ergue o nariz e estufa o peito. Assim sendo, tenho que fazer a parte da frente maior que a parte de trás. Anos mais tarde, quando está ocupado com seu trabalho e os transtornos advindos da experiência o tornam sensato, e ele olha adiante para ver o que vem em sua direção e o que precisa ser feito a seguir, aí então eu costuro o manto de modo que a parte da frente e a de trás tenham o mesmo comprimento. E mais tarde, depois que seu corpo está curvado pela idade e pelos anos de trabalho cansativo, sem mencionar a humildade adquirida através de uma vida de esforços, então faço o manto de forma que as costas fiquem mais longas que a frente.

"Portanto, tenho que saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente apropriadamente."

O novo mandarim saiu da loja pensando menos no manto e mais no motivo que levara seu amigo a mandá-lo procurar exatamente aquele alfaiate.

Do livro: O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral (pág. 650/651)

William J. Bennett

Editora Nova Fronteira

Ruan



























O Ruan é um dos instrumentos musicais tradicionais de cordas da China e tinha o nome de “Pipa de Qin”. Na Dinastia Qin ( 221-206 a..C ), artesãos colocavam cordas em pequenos tambores com cabos, formando um instrumento musical de cordas chamado Tao. Posteriormente, eles o aperfeiçoaram, passando a chamar-se de “Pipa de Qin”, origem de Ruan.

No século III, um músico chamado Ruanxian especializou-se em tocar o Ruan. O povo que apreciava muito sua música, passou a chamar o instrumento dele como Ruanxian. Há mil anos, ele passou a chamar-se simplesmente de Ruan.

O Ruan tem uma cabeça no cabo. A caixa de ressonância É feita de madeira e tem 4 cordas. A cabeça do cabo é decorada com um dragão e outros desenhos esculpidos em ossos de animais. O manejo do instrumento é muito parecido ao Pipa, outro instrumento tradicional chinês.


O Ruan interpreta a principal melodia numa orquestra, especializada em interpretação de músicas bem ritmadas e calorosas. A música interpretada com Ruan de baixa tonalidade é muito parecida à musica tocada com violino ocidental de baixa tonalidade.












Sem a oposição do vento, a pipa não consegue subir.
Provérbio Chinês

Pipas



















As pipas, ou cafifas, foram criadas na China há cerca de 2.500 anos. Nesse tempo, ela não era coisa de criança, mas arma de guerra. Os chineses a usavam militarmente para transmitir sinais diversos com suas cores, desenhos e movimentos no ar.

"A enciclopédia chinesa "Khé-Tchi-King-Youen" (Livro IX, f.8), relata como a tradição atribui a invenção da pipa ao célebre general chinês Hau-sin, que viveu no século 206 aC. Este General, conforme Tchin-i, entrou no centro da cidade e a conquistou, fazendo um túnel, após ter calculado, por meio de uma pipa, a distância entre o campo onde estava e o palácio Wai-Yang" (Do livro "Jogos Tradicionais Infantis", de Tizuko Morchida Kischimoto).

Simpatia para falar com os deuses






















A tradição chinesa ensina que uma pipa pode levar recados aos deuses.

Nos dois dias anteriores a 31 de dezembro faça sua pipa com carinho. Durante todas as fases do trabalho, repita em voz baixa o que você deseja que lhe aconteça no ano que vai se iniciar.

No primeiro dia do novo ano, empine sua pipa e mentalize que ela vai levar seus pedidos aos céus.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Hoteison















Sorridente, com orelhas grandes e barrigudo, carrega um grande saco e um leque. Origem chinesa. Deus da Satisfação.

Arte tradicional chinesa: Leque
















O leque chinês concentrou ao longo do tempo a essência da cultura chinesa. A arte embutida em sua fabricação e na sua estética nutre desta forma, a sabedoria chinesa.

O leque começou a ser fabricado na China há 3 mil anos. Os predecessores chineses utilizavam penas, bambu e seda em sua produção. Posteriormente, com o desenvolvimento da indústria de papel, este substituiu outras matérias primas empregadas para cobrir sua superfície.

Em 1975, numa tumba recém descoberta no distrito de Jin Tan, na Província de Jiangsu, foi desenterrado um leque com superfície de papel e cabo móvel de laca talhada.

Desde a dinastia Song, no século 11, a China começou a produzir leques dobráveis em grande escala. As superfícies mais empregadas eram de papel. Além de seu uso prático, também servia como artesanato. Os literatos chineses gostavam de escrever poemas e pintar nos leques e oferecê-los de presentes aos amigos.

No século 18, a obra "Leque de Flor dos Pessegueiros" criada pelo dramaturgo mais conhecido da China, Kong Shangren, descreve um romance que envolve um leque.

Na obra clássica "O Sonho do Pavilhão Vermelho" também há poemas em homenagem aos leques. Até hoje, nas áreas rurais do Sul da China, as mulheres expressam seu amor através de leques fabricados a partir do caule do trigo.

Leque chinês








Nas zonas rurais da China, quando uma mulher se apaixona, produz um leque e aguarda a chegada do verão para entregar à pessoa desejada no verão. A moça deposita o seu amor e esperança no leque.

Na primeira Festa de Barco de Dragão após o casamento, a família da jovem visita a filha levando presentes e, entre estes, o leque de caule de trigo é indispensável. O número de leques pode variar entre 20 e 100. Estes leques serão entregues aos parentes do marido, a fim de que manifestem respeito e amizade.

Além do uso cotidiano, o leque também servia como objeto de honra nas cortes. Um leque de dois mil anos de história, descoberto na ruína de Mawang, em Changsha, Capital da Província do Hunan, testemunha isso.

O leque mede 1.76 m de altura era sustentado por um escravo ou vassalo. Ele tinha duas funções. Por um lado, servia como de sombrinha. Por outro, simboliza o status social do dono.

Atualmente, com avanço da tecnologia e a mudança estética das pessoas, surgiram outros tipos de leque: feitos de plástico, automáticos, multifuncionais etc.

A vida moderna faz com que a função original do leque, a de se abanar, diminua ainda mais. Porém, como uma arte e decoração, ele está em moda. Mesmo nas metrópoles, você pode encontrar os leques feitos a partir de vários materiais.

Leques

Várias são as lendas que correm sobre a sua invenção.
Uma das histórias, muito encantadora, conta que a filha de poderoso mandarim, assistindo à festa das Lanternas, sentiu-se mal com o intenso calor desprendido das milhares de velas acesas e, contrariando os hábitos da época, discretamente retirou a máscara que lhe escondia rosto e com ela começou a se abanar, no que foi imitada por todas as mulheres chinesas presentes, nascendo assim o leque.


















Leque tradicional com frente de tigre e atrás traz uma poesia chinesa.